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Nevos melanocíticos (Pintas ou sinais): 

Os nevos melanocíticos, conhecidos como pintas ou sinais são manchas ou pequenas elevações na pele que variam de castanho claro a castanho bem escuro, por vezes podendo ter mais de uma cor. O tamanho pode variar bastante. Os nevos melanocíticos são considerados como potenciais precursores (pode se transformar em um melanoma), diagnóstico diferencial (pode simular um melanoma) e marcadores de risco pra melanoma.

Potenciais precursores:

Os nevos melanocíticos podem se transformar em um melanoma. A chance de isto ocorrer depende de inúmeros fatores como quantidade de nevos da pessoas, tamanho do nevo (nevos gigantes presentes desde o nascimento tem um risco muito elevado de transformação) cor da pele entre outros.
Diagnóstico diferencial: Os nevos melanocíticos podem simular melanomas quando apresentarem as características de assimetria, bordas irregulares, mais de uma cor e tamanho superior a 6 milímetros.  Nevos melanocíticos com estas características são conhecidos como nevos atípicos ou displásicos.
Marcadores de risco: Pessoas com múltiplos nevos atípicos (mais de 50) têm um risco elevado de desenvolver melanomas.

Como diferenciar um nevo melanocítico benigno de um melanoma? 

Diferenciar uma pinta benigna de um melanoma inicial pode ser muito difícil. Em estágios mais avançados, melanomas tendem a ser lesões grandes, com múltiplas cores, de formato irregular, que podem sangrar. Mas, em fases iniciais, nas quais são curáveis por cirurgia, o diagnóstico pode ser difícil. A clássica regra do ABCD nos ajuda nesta diferenciação:

Exemplos de melanomas na coluna da esquerda e nevo (pintas) benignas na coluna. da direita. Por vezes a diferenciação não é simples. Exemplos de melanomas na coluna da esquerda e nevo (pintas) benignas na coluna. da direita. Por vezes a diferenciação não é simples.


    Além destas características, devemos lembrar que em fases iniciais o melanoma tende a ser plano, não exibindo relevo. Em estágios iniciais melanomas não coçam, não sangram, não exibem qualquer sintoma. Devemos lembrar também que não só melanomas podem ser confundidos com pintas, existem outros tumores de pele como carcinomas basocelulares, além de outras lesões benignas.
Faça o teste interativo e veja como é difícil saber quando a pinta é benigna ou não. (link para arquivo interativo)  
Muitas vezes a diferenciação entre uma lesão benigna, o nevo melanocítico e uma maligna, o melanoma, é muito difícil de ser feita apenas ao exame clínico.
Quando temos dúvidas, a dermatoscopia ajuda no diagnóstico. Não é um exame 100% preciso, mas ajuda muito. Paciente com múltiplas pintas se beneficiam também do exame de mapeamento corporal. Este é um exame indicado para quem possui risco elevado de desenvolver um melanoma.

Como interpretar o resultado do exame de biópsia?

   Você procurou seu dermatologista, retirou uma pinta suspeita e dias depois recebe na sua casa o resultado. Como interpretar?
 Se o diagnóstico final for NEVO, fique tranqüilo, todo nevo é benigno.
Nevo melanocítico juncional: É um nevo (pinta benigna) que acomete a junção (por isso juncional) dermo-epidérmica. Ou seja, uma pinta na transição entre a camada superficial (epiderme) e profunda da pele (derme).
Nevo melanocítico composto: É um nevo que acomete tanto a epiderme quanto a derme.
Nevo melanocítico intradérmico: É um nevo que acomete somente a derme.
Nevo melanocítico displásico: Apesar de o nome assustar, é uma lesão benigna. Alguns médicos podem erroneamente interpretar este nevo como uma pinta que estava se transformando em melanoma, um “quase-melanoma”. Esta é uma interpretação equivocada não respaldada por estudos científicos recentes. O que se sabe é que nevos displásicos são marcadores de risco. Isto é, uma pessoa que já tenha tirado duas ou mais pintas que o resultado veio nevo displásico tem um risco maior de desenvolver melanoma. O risco não diz respeito a pinta retirada, diz respeito a pessoa como um todo.

Considerações finais:
Saber a diferença entre uma pinta benigna e um melanoma pode ser difícil. Por isso, todas as pintas suspeitas devem ser sempre examinadas por um dermatologista. Sempre que houver dúvida, a pinta deve ser removida e enviada para análise.

Autor: Dr. Gustavo Alonso Pereira

Bibliografia:
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