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Queratose Actínica

O que é a queratose actínica? 

    Queratose actínica ou ceratose actínica é uma lesão de pele causada pelo sol (por isso chamada de actiníca) que se caracteriza por áreas avermelhadas ou ligeiramente acastanhadas com uma superfície áspera, queratósica (por isso queratose). Normalmente aparece em áreas expostas do corpo, como rosto, colo,  antebraços e  mãos. Em homens calvos pode acometer o couro cabeludo. Pode ser uma lesão isolada, mas normalmente é múltipla, acometendo toda uma área exposta cronicamente ao sol.  

Como posso reconhecer? 

    Queratoses actínicas quando muito iniciais, são pequenas em tamanho, sendo mais palpáveis que visíveis. São lesões ásperas, conferindo um aspecto de lixa ao toque. Quando crescem um pouco se tornam áreas avermelhadas, rosadas, algumas podem eventualmente ser mais acastanhadas, sendo conhecidas como queratose actínica pigmentada. Normalmente tem uma porção central mais áspera e amarelada. As queratose actínicas tradicionalmente são múltiplas, acometendo toda uma região da pele.
Queratose actínica, área queratósica, áspera, amarelada sobre base avermelhada.Queratose actínica, área queratósica, áspera, amarelada sobre base avermelhada.


Queratose actínica pigmentada em face.Queratose actínica pigmentada em face.


Múltiplas queratoses actínicas na fronte. Sinal de dano solar crônicoMúltiplas queratoses actínicas na fronte. Sinal de dano solar crônico

Quem pode ter queratose actínica? 

    Queratoses actínicas são comuns em pessoas brancas, de olhos e cabelos claros. Nos Estados Unidos são a terceira queixa mais freqüente nos consultórios dermatológicos. Na Australia, estima-se que 40-50% da população acima de 40 anos tenha pelo menos 1 lesão de QA.

Queratose actínica pode virar um câncer de pele? 

Sim pode. A queratose actínica é considerada o primeiro passo para o desenvolvimento de um carcinoma espinocelular. O risco de transformação em carcinoma espinocelular é estimado em 0,1 a 10% ao ano. Contudo, sabe-se que 60% dos carcinomas espinocelulares são originários de queratoses actínicas. Carcinoma espinocelular é um câncer de pele com potencial de metastizar, espalhar pelo corpo, podendo, inclusive, levar a óbito. Pelo risco de transformação em carcinoma espinocelular, é considerada uma lesão pré-maligna ou pré-cancerosa, devendo receber um cuidado adequado, não podendo seu tratamento ser negligenciado. Alguns especialistas, inclusive, acreditam que a queratose actínica já é uma forma de câncer de pele restrita a epiderme (camada mais superficial da pele), que ainda não invadiu a derme (camada mais profunda da pele).
Couro cabeludo de um paciente com bastante  dano solar, múltiplas queratoses actínicas  e um carcinoma espinocelular. Couro cabeludo de um paciente com bastante dano solar, múltiplas queratoses actínicas e um carcinoma espinocelular.

Tratamento das queratoses actínicas: 

    A prevenção é o mais importante, pessoas de pele claras, olhos e cabelos claros, devem evitar a exposição solar e usar filtro solar.  Como queratoses actinícas tendem a ser múltiplas, o tratamento deve tratar uma área toda e não as lesões individualmente.  O tratamento deve ser sempre orientado e supervisionado por um médico especialista. Lembre-se o diagnóstico diferencial entre uma queratose actínica e um câncer de pele é difícil e só um especialista pode diagnosticar e tratar de forma adequada.
    Tratamentos tópicos:Existem algumas medicações de uso tópico: imiquimod, 5-fluoracil e diclofenaco em gel. Cada uma tem pontos positivos e negativos que devem avaliados pelo médico na escolha do tratamento adequado para cada paciente.
    Além dos tratamentos tópicos, existem os tratamentos feitos em consultório, como: terapia fotodinâmica, crioterapia e cauterização química. Esta última baseia-se na destruição da queratose actiínica pelo uso de ácidos potentes aplicados diretamente sobre as queratoses actínicas. Recentemente aprovado pela ANVISA, o Mebutato de Ingenol (Picato) é um novo tratamento tópico para queratoses actínicas que deve estar disponível em breve no Brasil.

Autor: Dr. Gustavo Alonso Pereira

Bibliografia:
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